1.3.17

Bukowski e os meses


era agosto, volta às aulas. você não foi na primeira, eu não fui na segunda. a terceira aula foi a primeira que nos vimos. ou melhor, a primeira que te vi, porque acho que você não me viu. um loirinho lendo um livro do Bukowski me intrigou totalmente. não tive tempo de ver o nome do livro, mas acabei descobrindo qual era. e o li. na aula seguinte, você já estava com outro livro, do mesmo autor. o comprei também. e depois, mais um. depois do terceiro, eu estava lendo o autor por conta própria. foi você quem “me apresentou a ele” mesmo sem dirigir uma palavra a mim.
você sabe como é na sala, mapeamento implícito. todo mundo sempre senta no mesmo lugar. eu e você, sempre acabávamos lado a lado. a aula funciona em dupla, e era sempre nós dois.
você me fascinava. desde a primeira vez que te vi, já achei suas redes sociais e passei a te acompanhar (mas você não sabia). descobri o seu signo e achei que sabia tudo sobre você, mas depois que nos conhecemos melhor, descobri que errei em todas as minhas suposições. isso foi porque você é imprevisível. e, na verdade, imprevisibilidade era uma característica sua que eu conhecia, então acho que não errei tudo, afinal.
meses passaram e a gente só conversava sobre os assuntos da aula. eu estava agoniada.
um dia, tomei coragem e pensei em inventar um assunto qualquer para puxar assunto.
falei sobre o Bukowski, perguntei o nome do livro que estava lendo. como se eu não soubesse quais páginas você tinha folheado… mas foi além, você cultivou o assunto e eu me surpreendi. mas depois, nunca mais (e tudo bem porque eu não gostava muito das nossas conversas virtuais).
eu já não pensava tanto em você quando me surpreendeu de novo. plena quarta feira, você me chamou tardiamente para um rolê. não fui. você queria me arranjar para um amigo. eu queria me arranjar para você. no mesmo dia, você já queria marcar outra saída, quase insistiu. eu acabei não indo também.
mesmo com essa intenção, até hoje imagino o que te fez lembrar de mim.
mais um tempo se passou e eu tomei coragem de novo. imaginei que você já tinha tentado marcar dois rolês e eu “recusei”, então não tentaria de novo, aí seria minha vez de te chamar, mas você não pôde também.
mais alguns meses de agonia e do nada, as coisas começaram a dar certo.
durante todos os meses que nos conhecemos, estávamos em contato constante, na aula, mas era superficial.
em dezembro, passei a te encontrar no ônibus e aquele ambiente parecia despertar conversas profundas. no dia seguinte da nossa primeira viagem, você já me chamou pra sair e eu nem pensei duas vezes, em menos de uma hora te encontrei no ônibus a caminho do rolê.
você me fez jogar futebol, de jeans e all star. sentamos embaixo do bloco, bebemos cerveja com seus amigos, coisas que eu nunca tinha feito antes.
essas saídas aconteciam 2, 3 vezes por semana quando as férias chegaram.
aí você sabe, eu te disse o que eu sentia, mas você namorava e eu fiquei na mão. mas tudo bem, porque eu lidei com isso fácil e a gente se via normalmente, como se nada tivesse acontecido. até acho que ninguém ficou sabendo, não sei se você contou.
mas com 2016, os rolês acabaram.
foi minha culpa. eu causava muito drama e pra você as coisas tem que acontecer de forma simples. eu entendo, também vivo dizendo que odeio drama, mas acho que é inevitável.
então pela primeira vez me senti miserável por sua causa. foi culpa das expectativas que eu criava. o tempo que a gente passou junto em dezembro foi o mesmo tempo que estive na agonia de não te ver em janeiro.
chegou fevereiro e com ele nosso aniversário (pois é, 4 dias de diferença) e tudo ficou bem. você me chamou pra jogar futebol de novo e nos vimos no ônibus de novo. voltamos a encostar os ombros na aula e lemos mais palavras do Bukowski.
mas fevereiro também foi o mês que eu decidi que já tinha te superado. tinha certeza. ainda tenho?
mas a minha insistência em ficar lembrando nossa história (não é realmente “nossa história” porque não existe um nós) põe essa decisão em dúvida.
acho que o que me faz remoer tanto tudo isso são os arrependimentos. muitas coisas que fiz e não fiz me fazem acreditar que se eu tivesse tomado outras decisões provavelmente seria mesmo eu e você agora. um nós.
mas não importa, porque nunca vou sanar essa dúvida.
agora acho que é hora de cortar você da minha lista de assuntos sobre os quais escrever porque 1. eu realmente preciso te superar de vez; e 2. todas as palavras que eu digito acabam sendo um pedaço dessa história e já tá na hora de encontrar novos personagens.
então, espero que esse seja o meu adeus definitivo a isso, um adeus à essa história e todas as suas possibilidades, um adeus aos arrependimentos e um adeus para a versão de você que eu me apaixonei.

foi (seria) bom enquanto durou.

3 comentários:

  1. Olá,Sofia! Como você está? Não sei se você sabe mas sempre amei seu blog e por um tempo ele ficou inativo mas você tem colocado ele a ativa e te agradeço muito pois seus textos é uma forma de me fazer a continuar ler e largar toda a ressaca literária. Eu fui dar uma olhadinha nas páginas do seu blog e vi que você disponibilizou o seu twitter e eu aproveitei e te segui,sou o @ultraviolencese.

    As desilusões amorosas é tão dificil de superar,os primeiros momentos do texto aparenta ser clichê mas se olharmos em outra visão podemos nos deparar que não! Me lembrou muito o filme Submarine,já assistiu? É tão triste não ter um amor recíproco,eu vivo isso e é horrível. Por poucas palavras que falei a garota me esqueceu e tenta me evitar sempre que tenho me aproximar,minhas desilusões como sempre.

    Beijos ♡
    reckless

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  2. Oi Sofia, tudo bom? Quero começar dizendo que eu amei seu blog, o layout, o conteúdo e o seus layouts free também! Tudo aqui me encantou. Não sei o que falar desse texto, maravilhoso, simplesmente me deixou sem palavras! Adorei descobrir o Neapolitan <3

    http://n-e-a-p-o-l-i-t-a-n.blogspot.com.br/

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  3. Ops, eu coloquei o link do seu blog ao invés do meu. Sorry. Estava colocando você na minha lista de blogroll! Este é o meu blog: https://cinderelaemtranse.blogspot.com.br/

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